Por Miguel d’Aguiar, Diretor Executivo, Startup Portugal
Há dez anos, celebrava o nascimento do meu quarto e mais novo filho. Foi um caminho difícil, com mais noites no hospital do que alguma vez desejei. Um ano louco, mas excelente.
Dez anos depois, celebro 10º aniversário dele eda Startup Portugal. Mais noites no escritório do que alguma vez planeei. Outro ano louco, mas outro ano excelente.
A Startup Portugal existe porque, há uma década, alguém pensou em duas pequenas palavras: “e se”.
E se Portugal tivesse uma entidade que defendesse os founders, promovesse o empreendedorismo e estivesse perto do Governo? Uma entidade que ajudasse o ecossistema a crescer, e Portugal a crescer com ele.
À volta dessa pergunta juntaram-se mais pessoas, mais parceiros e mais ideias. Foi assim que nasceu a Startup Portugal.
Uma lei pensada para as startups
Algum tempo depois, surgiu um novo “e se”: e se Portugal tivesse uma lei para as startups? Uma lei que definisse o que é uma startup, com benefícios reais, e que incentivasse novos founders a ver o empreendedorismo como uma carreira viável.
Em 2023, Portugal passou a ter a primeira definição legal de startup e de scaleup. Com ela veio um regime de stock options com uma taxa efetiva de 14%, uma das mais competitivas da União Europeia.
Juntar todo o ecossistema
Anos mais tarde, outro “e se”: e se Portugal tivesse um evento que reunisse todo o ecossistema de empreendedorismo? Um evento com oradores de renome, que partilhasse conhecimento além-fronteiras.
Foi assim que nasceu a SIM Conference. Caminha agora para a 4.ª edição, com uma audiência cada vez maior e mais diversificada.
O resto do ecossistema cresceu à volta da mesma ideia. Hoje, há mais de 150 incubadoras e aceleradoras acreditadas na RNI – Portugal Incubators, a Rede Nacional de Incubação. Há uma década, esta rede praticamente não existia.
A próxima década: Agenda Nacional para o Empreendedorismo
Celebrar 10 anos olhando só para trás seria admitir que o melhor já passou. Não passou. Por isso, a pergunta mantém-se, desta vez virada para a frente.
E se Portugal tivesse uma nova estratégia para o empreendedorismo na próxima década? Uma estratégia construída com os founders, os investidores, as universidades e as incubadoras, e que juntasse o financiamento, a fiscalidade, a simplificação burocrática, o talento, a internacionalização e o ecossistema.
É essa a Agenda Nacional para o Empreendedorismo, que estamos a construir e que queremos entregar a Portugal nos próximos meses.
Histórias que merecem ser contadas
Um ecossistema não se mede só em euros e em rondas de investimento. Por isso, perguntámos: e se contássemos as histórias de quem o construiu?
Convidámos quem conhece bem estas empresas a escrever uma série de artigos de storytelling para a Startup Portugal. Os artigos acompanham founders portugueses desde os primeiros dias difíceis até aos êxitos de hoje, e assim nasceram os Tales From The Ecosystem.
E porque algumas histórias não são para ler, são para ouvir, vamos continuar a dar voz, na rádio e em podcasts, a quem está a construir o país que ainda não existe.
De destino a porta de entrada
E se Portugal deixasse de ser só um destino e passasse a ser a porta de entrada da inovação europeia para o maior mercado do mundo?
Foi essa pergunta que deu origem ao Scale Up Now.O programa ligou dezenas de startups, mentores e investidores portugueses e americanos, com ligação direta à Plug and Play, em Silicon Valley.
Business Abroad já levou mais de 300 startups portuguesas a mercados internacionais desde que começou. É a mesma pergunta que leva, ano após ano, mais founders portugueses à SIM Conference, ao Road 2 Web Summit, mais recentemente ao Tech Foundry Portugal, e a todos os palcos onde Portugal deve estar.
Dez anos em números
Ninguém mediu quantas startups havia em Portugal há dez anos. Hoje, há mais de 5 000 startups ativas. Empregam cerca de 28 mil pessoas e faturam mais de 2,8 mil milhões de euros, quase 1% do PIB português. São também responsáveis por 1,5% do total das exportações.
Sete em cada dez nasceram nos últimos cinco anos.
Portugal já criou também oito unicórnios: Farfetch, OutSystems, Talkdesk, Feedzai, Remote, Sword Health, Anchorage Digital e, o mais recente, a Tekever.
Nada disto acontece sozinho
Obrigado ao Governo, que acredita connosco que o empreendedorismo é política de Estado. Aos nossos parceiros e associados, que apostam todos os dias neste ecossistema. À equipa da Startup Portugal, que trabalha para que cada “e se” se torne uma resposta, e não só uma pergunta. E aos empreendedores, investidores e fazedores, que são a razão de a Startup Portugal existir.
O próximo “e se”
Daqui a dez anos, o meu filho mais novo terá 20 anos, e a Startup Portugal também. Ele ensinou-me mais sobre resiliência e pertença do que qualquer outra pessoa que conheço. Gostava muito que, nessa altura, estivesse a trabalhar numa startup portuguesa, num ecossistema onde a inclusão não é a exceção, mas simplesmente a forma como as coisas se fazem.
Gostava também que pudéssemos olhar para trás e dizer que continuámos a fazer a mesma pergunta, “e se”, e que continuámos a transformá-la em resposta, todos juntos.
Aos próximos 10 anos da Startup Portugal e ao ecossistema português.
E se tens um “e se” teu, Portugal é um ótimo lugar para começar.