«Um ecossistema vivo»: como a UPTEC ajuda a transformar o conhecimento em negócios

Na edição deste mês de #IncubXdiscoveries, viajamos até ao Porto para conhecer a UPTEC, o Parque de Ciência e Tecnologia da U.Porto e uma das incubadoras universitárias pioneiras no país. Falámos com Joana Resende, Presidente da UPTEC, sobre transformar o conhecimento académico em empresas, um ecossistema vivo onde startups e indústria crescem lado a lado, e o apoio a fundadores desde as fases mais iniciais.
Este conteúdo está disponível em inglês.
– Como surgiu a UPTEC? Que tipo de projetos incubam?
Apostada na valorização do conhecimento gerado nos seus centros de I&D, a Universidade do Porto procurou estimular a concretização de projetos empresariais com potencial de crescimento a partir de ideias desenvolvidas no seio da academia e em ligação ao mercado. A expressão máxima dessa estratégia foi a criação da UPTEC – Parque de Ciência e Tecnologia da U.Porto, uma estrutura pioneira no Ensino Superior em Portugal, fundada em 2007 como ponto de encontro entre a Universidade e o mundo empresarial.
Desde então, apoiamos estudantes, investigadores e empreendedores que querem transformar uma ideia de negócio numa empresa, bem como startups em fase de desenvolvimento e centros de inovação de empresas já consolidadas.
– Em que consiste o vosso modelo de incubação?
Independentemente da modalidade de incubação — virtual, cowork ou física — as empresas da UPTEC têm acesso a um conjunto transversal de serviços. Estes incluem mentoria e desenvolvimento de negócio assegurados pela nossa equipa interna, bem como o acesso a uma rede de parceiros globais com experiência em investimento, internacionalização e indústria.
Organizamos anualmente mais de 150 eventos dirigidos à comunidade, entre workshops temáticos, sessões de capacitação e networking. As modalidades presenciais incluem ainda acesso a espaços de cowork, escritórios ou laboratórios, bem como salas de reuniões e espaços para eventos partilhados por toda a comunidade.
– Conta-nos a história de uma startup que tenha marcado a incubadora? E onde é que a incubação convosco fez a diferença?
Já tivemos mais de 860 projetos empresariais a passar pela UPTEC, pelo que existem muitas histórias marcantes. A Smartex, hoje uma empresa graduada, é um exemplo claro do reflexo da nossa missão.
Fundada por antigos estudantes da Faculdade de Ciências e Economia da U.Porto, que frequentaram a Escola de Startups para Empreendedores numa fase inicial do projeto, a equipa desenvolveu sistemas avançados de monitorização automática e inteligência artificial para reduzir defeitos na produção têxtil, ajudando marcas e fábricas a melhorar a qualidade, reduzir desperdício e aumentar a sustentabilidade.
Desde então, a Smartex foi a primeira vencedora nacional da competição de Pitch da Web Summit e já captou cerca de 60 milhões de euros em financiamento, além de contar com clientes globais e ter criado um centro tecnológico na Turquia, afirmando-se como uma das startups portuguesas mais promissoras na indústria têxtil inteligente.
– Falhar também faz parte do caminho. Qual a maior aprendizagem com algo que não correu bem?
Uma das maiores aprendizagens foi perceber que infraestrutura e talento, por si só, não são suficientes. Nem todos os projetos estão prontos para beneficiar de incubação no mesmo momento. Essa constatação levou à criação do programa de pré-incubação remoto Foundations, que apoia empreendedores numa fase inicial, ajudando-os a estruturar ideias, evitar erros recorrentes e preparar bases mais sólidas para um crescimento sustentável.

– Qual é o fator diferenciador da vossa incubadora? Por outras palavras, o que é que vocês têm de único que potencia o sucesso das startups que incubam?
O principal fator diferenciador da UPTEC é funcionar como um ecossistema vivo, onde startups, centros de inovação e grandes empresas coexistem e interagem de forma contínua. Esta proximidade permite que o conhecimento gerado na Universidade do Porto seja rapidamente transformado em soluções empresariais e que os desafios reais da indústria influenciem novas linhas de investigação. Essa dinâmica bidirecional é difícil de replicar noutros contextos.
Outro elemento distintivo é o foco muito claro no apoio às fases iniciais dos projetos. Através de programas estruturados de aceleração, como a Escola de Startups para Empreendedores, trabalhamos desde cedo temas críticos como a validação tecnológica e de mercado, a definição da proposta de valor e a construção de modelos de negócio sustentáveis. Além disso, participamos em projetos nacionais e internacionais que oferecem rede e oportunidades concretas às nossas empresas, como o ScaleHER, que procura apoiar o empreendedorismo feminino, e o ST3ER, que já que já distribuiu cerca de 400 mil euros em cascade funding para projetos na área do turismo.
A isto junta-se uma ligação muito próxima à indústria e ao investimento. Procuramos garantir uma conexão contínua com mentores e especialistas através de workshops temáticos, acompanhamento individualizado e eventos de networking que aproximam as startups de parceiros industriais, clientes e investidores. É esta combinação entre conhecimento académico, orientação prática para o mercado e acesso a redes relevantes que potencia, de forma consistente, o sucesso das startups que passam pela UPTEC.
– A comunidade é um dos fatores que distingue uma incubadora de um centro de escritórios. Como cuidam da vossa e que planos têm para a tornar mais coesa e fértil?
Cuidamos da nossa comunidade de forma intencional, criando momentos e canais que promovem partilha, colaboração e ligação à indústria. Ao longo do ano, organizamos eventos focados em temas críticos para o desenvolvimento das startups, bem como sessões de networking e iniciativas de ligação ao ecossistema, o que permitem às empresas trocar experiências, identificar oportunidades comuns e estabelecer parcerias dentro e fora da comunidade.
Mantemos uma comunicação próxima através de canais diretos e de uma newsletter semanal, e promovemos ativamente os projetos incubados através de iniciativas como o Out of Office e o Open Doors, que reforçam o sentimento de pertença e uma comunidade mais humana. Além disso, apostamos em eventos que promovem maior coesão e colaboração, como o Community Gathering ou o Cheers, uma sessão de apresentação e pitch para as novas empresas que se juntam a nós terem a oportunidade de se darem a conhecer à comunidade.
– Quais são os principais desafios para a incubação, no vosso contexto concreto (região, vertical, dimensão, etc.)?
Um dos principais desafios passa pela necessidade de crescer e diversificar os nossos espaços de incubação, de forma a acompanhar a procura crescente. Em 2025, apoiámos 251 projetos e integrámos 64 novos no ecossistema, o que demonstra a dinâmica e atratividade da UPTEC.
Outro desafio relevante é o crescimento dos projetos deep tech, que implicam ciclos de maturação mais longos e maiores necessidades de financiamento. Neste contexto, é também determinante para nós acompanhar os novos instrumentos europeus de capital de crescimento, para garantir que as nossas startups não apenas nascem, mas conseguem escalar e permanecer competitivas dentro da Europa.
– Querem partilhar connosco alguma novidade? Algum evento ou alguma iniciativa que devemos todos ter na nossa agenda?
Acabamos de lançar o Matching Founders, uma nova iniciativa que responde a um dos principais desafios do empreendedorismo: encontrar as pessoas certas para construir uma equipa fundadora sólida e preparada para desenvolver negócios. Dirigida a empreendedores em fases iniciais, a Matching Founders promove a ligação entre fundadores e potenciais cofundadores com ideias, talento e ambição para criar projetos em conjunto.
SOBRE OS #INCUBXDISCOVERIES
#IncubXdiscoveries é a rubrica mensal da Startup Portugal que vai ajudar-te a descobrir as incubadoras portuguesas. Que projetos incubam, como gerem a sua comunidade e que casos de sucesso tiveram e projetos futuros, são alguns dos temas abordados nestas entrevistas.
Se gostarias de conhecer melhor a UPTEC, porque gostarias de ver o teu projeto incubado nesta região ou porque queres estabelecer uma parceria, contacta a equipa da Startup Portugal através do e-mail incubadoras@startupportugal.com.
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