#IncubXdiscoveries

“Uma (des)aceleradora”: crescer de forma diferente na Moagem de Sabóia

Na edição deste mês de #IncubXdiscoveries, viajamos até Odemira para conhecer a Incubadora de Empresas da Moagem de Sabóia, um espaço que nasceu da reabilitação de um antigo edifício industrial e foi pensado para transformar património em inovação. Falámos com Ricardo Cardoso, Vice-Presidente do Município de Odemira, sobre a…
“Uma (des)aceleradora”: crescer de forma diferente na Moagem de Sabóia

Na edição deste mês de #IncubXdiscoveries, viajamos até Odemira para conhecer a Incubadora de Empresas da Moagem de Sabóia, um espaço que nasceu da reabilitação de um antigo edifício industrial e foi pensado para transformar património em inovação. Falámos com Ricardo Cardoso, Vice-Presidente do Município de Odemira, sobre a construção de um ecossistema empreendedor num território de baixa densidade, o valor da proximidade e o que significa crescer de forma diferente.

Este conteúdo está disponível em inglês.

 

– Como surgiu a Incubadora de Empresas da Moagem de Sabóia? Que tipo de projetos incubam?

A Incubadora de Empresas da Moagem de Sabóia nasceu da reabilitação de um antigo edifício industrial, transformando património em espaço de inovação. A sua localização estratégica, junto à linha ferroviária do Sul, reforça o objetivo claro de criar um polo de dinamização económica, capaz de atrair talento para a zona de mais baixa densidade do concelho de Odemira.

Apoiamos projetos empresariais em fase de ideia, arranque ou crescimento inicial, com ligação ao território e compromisso com a criação de valor sustentável.

 

– Têm alguma área de especialização?

Não somos uma incubadora verticalizada, porque queremos apoiar todos os projetos que acrescentem valor ao território, mas sabemos que queremos criar um ecossistema favorável à atração de empresas ligadas ao principal setor desta sub-região, o agroflorestal, seja através da valorização dos recursos da floresta, seja através da transformação de produtos endógenos.

 

– Em que consiste o vosso modelo de incubação?

O nosso modelo assenta em três pilares: espaço físico atrativo e funcional, com infraestruturas modernas num edifício com identidade; acompanhamento técnico de proximidade, com mentoria personalizada ajustada às necessidades de cada projeto; e ligação ao ecossistema, com conexão a redes institucionais, empresariais e de financiamento.

Oferecemos incubação física e virtual, apoio na estruturação do modelo de negócio e capacitação em áreas críticas como gestão, financiamento e marketing.

Como fator diferenciador temos a envolvente territorial marcada por uma qualidade de vida própria de um território de baixa densidade, com serviços de suporte e ligada ao país através da oferta de serviço alfa pendular e intercidades.

 

– Falhar também faz parte do caminho. Qual a maior aprendizagem com algo que não correu bem?

Aprendemos que construir uma incubadora num território de muito baixa densidade exige tempo, consistência e ajuste contínuo.

Numa fase inicial, foi essencial calibrar expectativas, reforçar processos internos e investir na capacitação da equipa. Tivemos de dar um passo atrás para consolidar bases e, assim, poder dar dois em frente.

Outra aprendizagem importante foi perceber que a nossa comunicação era excessivamente institucional e pouco próxima do público-alvo. Estamos agora a mudar essa abordagem.

 

– Qual é o fator diferenciador da vossa incubadora? Por outras palavras, o que é que vocês têm de único que potencia o sucesso das startups que incubam?

A Moagem de Sabóia oferece algo único: um ecossistema empreendedor com tempo para pensar, criar e crescer.

Costumamos dizer que somos uma (des)aceleradora, porque aqui há trabalho, há ambição e há comunidade, mas não há a pressão constante dos centros urbanos.

Num contexto em que o Alentejo promove o “Vagar”, nós mostramos que é possível crescer com consistência, alicerçado na qualidade de vida e em custos mais reduzidos.

Apesar da perceção de distância, estamos estrategicamente ligados ao país, a menos de duas horas de comboio de Lisboa e pouco mais de uma hora até ao aeroporto de Faro. Em breve concluiremos o acordo com a CP para disponibilização gratuita de vouchers de viagens para empresas incubadas, facilitando a mobilidade de equipas, clientes e parceiros.

 

– Que tipo de projetos ou startups estão agora à procura?

Procuramos projetos que queiram crescer connosco e acrescentar valor ao território. Valorizamos particularmente iniciativas ligadas ao setor agroflorestal, à transformação de recursos da floresta e à valorização de produtos endógenos, mas estamos abertos a qualquer projeto inovador com potencial de impacto local.

 

– A comunidade é um dos fatores que distingue uma incubadora de um centro de escritórios. Como cuidam da vossa e que planos têm para a tornar mais coesa e fértil?

Acreditamos que uma incubadora é, antes de tudo, uma comunidade.

Promovemos uma agenda dinâmica com momentos de encontro entre incubados, workshops, ações de capacitação e iniciativas abertas às empresas locais. Temos vindo a reforçar parcerias estratégicas, com ações dinamizadas pela ANJE e uma parceria com a Navigator, fortalecendo o nosso ecossistema empresarial.

 

– Quais são os principais desafios para a incubação, no vosso contexto concreto?

O maior desafio é provar que a inovação não é exclusiva dos grandes centros urbanos. Escolhemos começar numa das zonas de menor densidade populacional do concelho, poderia ter sido mais fácil iniciar noutra localização (por exemplo Odemira ou Vila Nova de Milfontes), mas seria menos transformador.

Acreditamos muito que vamos conseguir afirmar o conceito de (des)aceleradora, porque a contrapartida é aliciante, mais qualidade de vida com muito menos custos.

 

– Querem partilhar connosco alguma novidade? Algum evento ou alguma iniciativa que devemos todos ter na nossa agenda?

Estamos em fase final de negociação de um acordo com a CP que permitirá disponibilizar gratuitamente um número limitado de vouchers de viagem por mês às empresas incubadas, utilizáveis por equipas, clientes ou parceiros.

Paralelamente, está em curso um projeto ambicioso: a criação da Rede de Incubadoras de Odemira. Além da Incubadora da Moagem de Sabóia, já em funcionamento: temos em obra a Incubadora de Odemira, em concurso de empreitada a Incubadora Tecnológica de São Teotónio e em contratação de projeto a Incubadora de Vila Nova de Milfontes.

Num concelho que é o maior do país, com a dimensão territorial equivalente a alguns distritos portugueses, esta rede permitirá criar uma verdadeira infraestrutura empreendedora polinucleada pelo território.

 

SOBRE OS #INCUBXDISCOVERIES

#IncubXdiscoveries é a rubrica mensal da Startup Portugal que vai ajudar-te a descobrir as incubadoras portuguesas. Que projetos incubam, como gerem a sua comunidade e que casos de sucesso tiveram e projetos futuros, são alguns dos temas abordados nestas entrevistas.

Se gostarias de conhecer melhor a Incubadora de Empresas da Moagem de Sabóia, porque gostarias de ver o teu projeto incubado nesta região ou porque queres estabelecer uma parceria, contacta a equipa da Startup Portugal através do e-mail incubadoras@startupportugal.com.

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Patrícia Roque • Junho 18, 2026

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