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“Onde se respira inovação”: um dia no TERINOV

Os Açores, para além da sua beleza natural, são também berço de inovação e espírito empreendedor. No coração do Atlântico, Duarte Pimentel, Diretor Executivo do TERINOV, explica-nos quais são os motores deste Parque de Ciência e Tecnologia e da sua incubadora. Conteúdo disponível em inglês.   –…
“Onde se respira inovação”: um dia no TERINOV

Os Açores, para além da sua beleza natural, são também berço de inovação e espírito empreendedor. No coração do Atlântico, Duarte Pimentel, Diretor Executivo do TERINOV, explica-nos quais são os motores deste Parque de Ciência e Tecnologia e da sua incubadora.

Conteúdo disponível em inglês.

 

– Como surgiu o TERINOV? Que tipo de projetos incubam?

O TERINOV resulta de uma aposta do Governo dos Açores, em estreita colaboração com a Câmara de Comércio e Indústria de Angra do Heroísmo. A incubadora do TERINOV posiciona-se como uma infraestrutura de apoio a atividades inovadoras assente numa lógica de transferência de conhecimento e tecnologia, oferecendo um ecossistema único e de alto valor acrescentado que pretende potenciar a competitividade empresarial dos Açores. O ecossistema do TERINOV acolhe, hoje, um total de 78 projetos, dos quais 71 de natureza empresarial (i.e., 24 no programa de cowork, 37 nos programas de incubação física e virtual e 10 no programa de desenvolvimento empresarial) e 7 entidades de natureza científica, agregando cerca de 290 profissionais qualificados.

 

– Em que consiste o vosso modelo de incubação?

O TERINOV oferece três programas de apoio ao desenvolvimento de negócios, focados em diferentes fases do desenvolvimento das startups e dos empreendedores. Em primeiro lugar, o nosso Programa Co-work visa investigadores, profissionais independentes e projetos em fases muito iniciais, ou seja, em estádio de pré-incubação. Acreditamos que o nosso ecossistema e infraestruturas oferecem aos projetos um conjunto de ativos e oportunidades que podem contribuir decisivamente para o sucesso da ideia de negócio.

Temos, depois, o Programa de Incubação, direcionado para startups formalmente constituídas, com não mais de 3 anos, e que requer a instalação física nos nossos espaços de incubação. Tem o objetivo de criar condições físicas e oferecer serviços favoráveis para que os projetos possam ser desenvolvidos de forma sustentável, independentemente da fase em que se encontram.

Por fim, temos o Programa de Desenvolvimento Empresarial, que foi desenhado para reforçar o apoio a empresas já consolidadas nos mercados internacionais ou que estão a iniciar projetos de internacionalização. Este programa encerra o ciclo de incubação, tornando possível apoiar iniciativas empresariais durante as diferentes etapas de dificuldade. O papel da TERINOV no âmbito deste programa é fornecer serviços que apoiem o desenvolvimento de novos produtos e serviços. Estes serviços incluem acesso privilegiado a atividades de I&D, através de valências próprias do Parque, e o apoio e acompanhamento no acesso a oportunidades de financiamento específicas.

Tanto o Programas de Incubação como o de Desenvolvimento Empresarial estão também disponíveis em modalidades virtuais, que replicam os programas físicos, com especial enfoque nos benefícios imateriais e intangíveis da presença no ecossistema TERINOV, sem necessitarem de estar presencialmente no Açores.

 

– Conta-nos a  história de uma startup que tenha marcado a incubadora? E onde é que a incubação convosco fez a diferença?

Não é fácil identificar apenas uma, pois temos a sorte de ter um ecossistema empreendedor bastante diversificado e com projetos de referência em todas as nossas áreas de especialização. Devo, no entanto, salientar empresas como a Redcatpig, na indústria dos videojogos, que no início do seu percurso venceu o PlayStation Talents e que tem construído um caminho de enorme sucesso, sendo um dos membros do consórcio fundador do eGames Lab, financiado no âmbito do PRR, tem por objetivos a criação de um cluster nacional de produção e desenvolvimento de videojogos, estimulando e dinamizando todo o setor das indústrias criativas.

Outra startup que destacaria é a Wizardsardine, reconhecida no panorama internacional como uma das startups de referência no que diz respeito ao desenvolvimento de produtos de segurança em Bitcoin. Têm uma solução completa de custódia usando smart contracts, que oferece, por exemplo, “veto” manual em transações de saída e a mitigação de ameaças físicas, sem a necessidade de terceiros, e desenvolveram também uma carteira de Bitcoin de última geração que inclui soluções de herança, backups mais seguros e multisig empresarial mais seguro e com recursos de recuperação. Destaca-se, ainda, pela capacidade de quebrar quaisquer barreiras geográficas, provando que é possível trabalhar dos Açores para o mundo, e assumindo um posicionamento sério no mercado global.

Acreditamos que as principais vantagens da instalação no TERINOV prendem-se com o acesso privilegiado a um conjunto de ativos diferenciadores, como é o caso do regime fiscal dos Açores, o acesso a mecanismos de financiamento regionais específicos, a proximidade física com  centros de saber e unidades de investigação, ao que acresce a integração num ecossistema empresarial de base tecnológica altamente dinâmico, onde se respira inovação, e onde, de forma natural e espontânea, surgem sinergias que potenciam o desenvolvimento de novas ideias, serviços e produtos com elevado valor acrescentado.

 

– Falhar também faz parte do caminho. Qual a maior aprendizagem com algo que não correu bem?

A aceitação do fracasso faz parte tanto do mindset do empreendedor, como das equipas de gestão das incubadoras, e é, ou devia ser, francamente assumida como parte inerente do processo. A aceitação do fracasso ou do erro encoraja os empreendedores a estabelecerem metas ambiciosas sem medo de julgamentos. Em vez do fracasso ser encarado como uma falha pessoal ou profissional, deve ser encarado como parte natural e necessária da jornada empreendedora.

Acredito, sinceramente, que a falha proporciona experiências de aprendizagem inestimáveis, oferecendo insights que os sucessos não conseguem. Cada falha, cada contratempo, cada fracasso, apresenta uma oportunidade para avaliar o que não resultou, o porquê de não resultado, e permite, de forma orgânica, perceber como evitar erros semelhantes no futuro. E acredito, também, na importância do conhecido “fail fast principle”, e neste caso “falhar rapidamente” não se trata apenas de aceitar o fracasso, trata-se, ainda, de falhar de uma maneira que facilite a melhoria acelerada.

No nosso caso, há alguns anos atrás apostámos de forma muito significativa num programa de aceleração para a agroindústria, um programa com matriz internacional que por diversos motivos (podemos comprovar que a Lei de Murphy existe mesmo) ficou muito aquém das expectativas. São nestes momentos que aprendemos e entendemos, às vezes “the hard way”, a necessidade de falhar rapidamente e ajustar rota, tentando, no entanto, retirar o que foi mais positivo do fracasso e potenciar esses aspetos e aprendizagens.

 

 

– Qual é o fator diferenciador da vossa incubadora? Por outras palavras, o que é que vocês têm de único que potencia o sucesso das startups que incubam?

Creio que o que nos destaca é essencialmente o acompanhamento, a monitorização e a crença absoluta na melhoria contínua. A implementação de um sistema para monitorar e avaliar o progresso das startups do nosso ecossistema tem sido essencial para identificar áreas de força e de melhoria, permitindo-nos rastrear indicadores chave de desempenho e tomar decisões de apoio baseadas em dados.

O acompanhamento regular apoiado por sessões de feedback tem sido fundamental para a nossa capacidade de avaliar a eficácia dos nossos programas e fazer os ajustes necessários. Esta abordagem de proximidade tem permitido a potenciação do nosso ecossistema de incubação como um ambiente verdadeiramente simbiótico. Ao longo dos últimos 5 anos, temos sentido que este ecossistema é efetivamente uma rede interconectada de entidades, recursos e sistemas de suporte que trabalham juntos para fazer crescer as nossas startups.

 

– A comunidade é um dos factores que distingue uma incubadora de um centro de escritórios. Como cuidam da vossa e que planos têm para a tornar mais coesa e fértil?

Como referi anteriormente, o sucesso da incubadora do TERINOV deve-se sem dúvida à nossa comunidade que diariamente promove um ambiente verdadeiramente sinergético. Naturalmente que temos diversas iniciativas que procuram manter e alavancar este espírito de cooperação, como é o caso o M3 by TERINOV, que se consubstancia um conjunto de matchmaking moments, atividades de formação, mentoria, workshops temáticos, sessões de ideação e bootcamps clusterizados e alinhadas com as nossas áreas estratégicas.

Compete-me deixar publicamente uma palavra de destaque e reconhecimento para o Fábio Santos, Coordenador do Departamento de Incubação e Desenvolvimento Empresarial do TERINOV, que tem sido fundamental no estímulo diário à nossa comunidade, assumindo de forma orgânica e natural o papel de Community Manager, uma função muitas vezes informal, mas que é essencial na ligação, inspiração e construção de pontes dentro do ecossistema de startups.

Outro dos fatores que potencia a coesão no ecossistema instalado é a participação conjunta de muitas das nossas startups e entidades científicas em projetos de I&D em contexto empresarial. As startups e scaleups do nosso ecossistema, por serem essencialmente de base científica e tecnológica, participam e lideram diversos consórcios de projetos de I&D onde alguns dos restantes membros do consórcio são outras entidades instaladas no TERINOV, o promove fortemente o trabalho conjunto e a interdependência positiva.

 

– Quais são os principais desafios para a incubação, no vosso contexto concreto?

A escassez de massa crítica e de profissionais altamente qualificados nas áreas das ciências da computação, inteligência artificial e ciência de dados tem representado um desafio significativo para o nosso ecossistema. Regiões ultraperiféricas, como é o caso dos Açores, frequentemente caracterizadas por recursos limitados e populações menores, enfrentam desafios muito particulares no desenvolvimento de indústrias tecnológicas prósperas. São regiões geralmente com menor população, o que resulta, desde logo, numa pool de talentos mais limitada. Sem acesso a talento especializado, as startups podem ter dificuldade para desenvolver produtos e serviços inovadores que as diferenciem no mercado. Isto pode limitar a capacidade da região de competir globalmente e atrair investimentos, prejudicando o desenvolvimento económico e perpetuando, de alguma forma, a dependência das indústrias tradicionais.

Por outro lado, o fenómeno do brain drain tem agravado o problema, reduzindo ainda mais o pool de talentos. Embora o trabalho remoto ou a terceirização possam, em certa medida, mitigar a escassez de talentos, uma dependência excessiva destas alternativas pode limitar o desenvolvimento de um ecossistema tecnológico local robusto e prejudicar a capacidade da região de inovar de forma sustentável e ser autossuficiente.

 

– Querem partilhar connosco alguma novidade? Algum evento ou alguma iniciativa que devemos todos ter na nossa agenda?

Uma das nossas marcas e iniciativas de referência é o Hack to Emerge by TERINOV, uma hackathon que conta com o apoio da FLAD – Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, e que procura promover, através de um modelo de maratona de programação, a criação de soluções digitais que ofereçam respostas a desafios da sociedade, premiando o mérito criativo e a qualidade da componente tecnológica dos projetos a concurso. Este ano, o Hack to Emerge, que aconteceu pela primeira vez em 2020, apoiado pela Fundação Calouste Gulbenkian, terá a sua 5º Edição, que decorrerá na primeira metade de outubro.

 

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Startup Portugal Team • Maio 10, 2024

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